fugaz .

estou perdida de novo, á minha volta apenas se ouve o vento pesado que força as janelas a gritar sons de descontentamento e desconforto, o mesmo vento que abafa o sol e traz ás nuvens um novo poder de absorção de luz . a quietude dos passos destacados pelo silêncio da terra batida traz- me a nostalgia absoluta de um passado que já lá vai, de um sorriso que já lá foi e de um sonho que não passou disso , um sonho .
as árvores parecem derrepente mais tristes , como se os seus vasos vasculares se interrompessem por entre ramos de outras plantas que lhes roubam a seiva , também elas foram abaixo quando eu fui abaixo . o mesmo acontece com os pássaros que já não cantam, limitam - se a procurar lagartinhas no solo humido , se fossem seres humanos diria até que tentam escassear o seu sentimento de incompletude com o forte desejo de comer . sinto falta do sol, de o sentir queimar - me a pele com  suavidade de seda, sem magoar, sem sequer provocar ao meu corpo actos involuntários que me façam espernear ou fugir , sinto falta da tonalidade que ele tomava na minha pele, do brilho . tal como sinto falta da tonalidade que tomava em ti , sempre em molde com o teu corpo perfeitamente linear e forte ,  estavas sempre mais bem disposto nas estações de sol  , irradiavas alegria como o sol irradiava a luz , os dois. em perfeita sintonia .
dequalquer maneira , tudo isto desapareceu quando as mentiras se apoderaram de mim, de ti e de nós . aí sim, o que estava já bem piorou e ainda penso se algum dia vamos dar a volta a isto .  tudo se perdeu em círculos e seguiu em rios, erodiu e tomou agora dimensões difrentes , que têm de ser moldadas pelo tempo e paciência dos velhos sábios da floresta .
agora , está tudo para além do nosso alcance individual .

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